Perder a mãe pode provocar mudanças que vão além da ausência de uma pessoa querida. Para algumas pessoas, significa também lidar com transformações na rotina, nas relações familiares, nas tradições, nas datas comemorativas e até na sensação de ter uma referência presente em determinados momentos da vida.
Por isso, não existe uma resposta simples para como lidar com o luto pela mãe. A experiência depende da relação construída ao longo da vida, das circunstâncias da morte, da rede de apoio e da maneira como cada pessoa vivencia a perda.
Também não há um prazo determinado para deixar de sentir tristeza ou saudade. O processo pode mudar com o passar do tempo e algumas lembranças podem ganhar força novamente diante de aniversários, músicas, lugares ou acontecimentos importantes.
Neste conteúdo, você vai entender melhor como pode ser o luto pela morte da mãe, por que não é necessário atravessá-lo seguindo etapas predefinidas e quais caminhos podem ajudar a conviver com a ausência e preservar as lembranças.
Como lidar com o luto pela minha mãe?
Não existe uma única maneira de lidar com o luto. Algumas pessoas sentem necessidade de conversar constantemente sobre o que aconteceu, enquanto outras precisam de períodos de maior recolhimento. Há quem retome rapidamente parte da rotina e quem necessite de mais tempo para reorganizá-la.
Também podem surgir sentimentos diferentes ao longo desse processo, como tristeza, saudade, raiva, culpa ou dificuldade para compreender a nova realidade. Eles não precisam aparecer em uma determinada ordem e nem todas as pessoas terão as mesmas experiências.
O Ministério da Saúde destaca que o processo de luto é único e individual e que não existe um prazo estimado para sua duração. Isso significa que comparar a própria experiência com a de irmãos, familiares ou outras pessoas pode criar expectativas que não correspondem à forma como você está vivendo essa perda.
Algumas atitudes podem ajudar nesse período, como conversar com pessoas de confiança, respeitar os próprios limites, aceitar auxílio em tarefas práticas, preservar lembranças e procurar apoio profissional quando sentir necessidade.
Quanto tempo dura o luto pela mãe?
Não existe um prazo definido para o luto pela morte da mãe. A intensidade dos sentimentos pode mudar ao longo dos meses e dos anos, e situações específicas podem fazer com que a saudade ou a tristeza voltem a aparecer com mais força.
Isso pode acontecer, por exemplo, no aniversário da mãe, no Dia das Mães, em festas familiares ou diante de uma conquista sobre a qual você gostaria de conversar com ela.
O Ministério da Saúde explica que o luto pode ser revisitado ao longo da vida. Portanto, sentir novamente uma tristeza intensa em determinado momento não significa necessariamente que todo o processo tenha voltado ao início.
Da mesma forma, conseguir trabalhar, viajar, encontrar amigos ou ter momentos felizes não significa que a mãe foi esquecida.
Adaptar-se à ausência e preservar o vínculo por meio das lembranças podem acontecer ao mesmo tempo.
Leia também: Luto em datas comemorativas: como lidar?
Quais sentimentos podem surgir depois da morte da mãe?
Não existe uma reação emocional considerada obrigatória depois de perder a mãe.
A experiência também depende de como era essa relação. Nem toda convivência entre mães e filhos foi próxima, simples ou positiva. Por isso, algumas pessoas podem ter sentimentos contraditórios após a morte.
Saudade e tristeza
A saudade da mãe que faleceu pode aparecer em momentos muito diferentes.
Uma música, uma comida, uma fotografia, um lugar ou até uma frase podem trazer lembranças de situações vividas juntos.
Com o passar do tempo, a maneira como essas recordações são percebidas pode mudar. Algumas continuam dolorosas, enquanto outras passam a estar mais associadas às histórias e aos momentos compartilhados.
Culpa
Pensamentos sobre situações do passado também podem surgir após a morte.
É possível lembrar de uma discussão, imaginar que deveria ter passado mais tempo com a mãe ou questionar decisões tomadas durante uma doença ou nos últimos momentos de vida.
Nessas situações, é importante considerar as circunstâncias existentes quando cada decisão aconteceu, evitando avaliar o passado exclusivamente com as informações e emoções do presente.
Quando a culpa causa sofrimento persistente ou se torna difícil de administrar, conversar com um profissional pode ajudar a compreender esses sentimentos.
Raiva e sentimentos contraditórios
Raiva também pode fazer parte do processo. Ela pode estar relacionada às circunstâncias da morte, a acontecimentos familiares ou à própria sensação de ausência.
Em relações que já eram complexas antes da morte, também podem coexistir tristeza, alívio, saudade, ressentimento e outras emoções.
Não é necessário encaixar essas experiências em uma única definição de luto.
Preciso passar pelas fases do luto?
É comum encontrar referências às chamadas fases do luto, frequentemente apresentadas como:
- negação;
- raiva;
- barganha;
- depressão;
- aceitação.
Esse modelo pode ajudar a conhecer algumas reações relacionadas à perda, mas não deve ser interpretado como uma sequência que todas as pessoas precisam cumprir.
O luto não necessariamente começa pela negação e termina pela aceitação. Alguns sentimentos podem aparecer simultaneamente, outros podem retornar e alguns talvez nem façam parte da experiência de determinada pessoa.
Por isso, não é indicado acompanhar o próprio luto esperando que uma fase termine para que outra comece.
O processo é individual e pode oscilar entre momentos de maior contato com a dor da perda e períodos em que a pessoa consegue voltar sua atenção para a rotina e para outros aspectos da vida.
Os rituais de despedida podem ajudar no luto?
Velório, funeral, cremação, sepultamento e outras cerimônias de despedida podem ter significado para algumas famílias porque criam um momento dedicado à despedida e à homenagem.
Isso não significa, porém, que participar desses rituais seja uma condição para vivenciar o luto.
Há circunstâncias em que uma pessoa não consegue estar presente no funeral ou em que não ocorre uma despedida da maneira desejada. Cada experiência precisa ser considerada individualmente.
Também é possível criar outras formas de homenagem posteriormente, inclusive meses ou anos depois da morte.
Como voltar à rotina depois de perder a mãe?
Depois da morte da mãe, tarefas que antes faziam parte do cotidiano podem parecer diferentes. Em algumas famílias, também é necessário reorganizar responsabilidades que eram assumidas por ela.
A retomada da rotina pode acontecer gradualmente.
Nesse período, pode ajudar:
- dividir tarefas com outras pessoas;
- aceitar ajuda prática de familiares e amigos;
- reorganizar compromissos quando possível;
- comunicar necessidades específicas no trabalho;
- manter cuidados básicos com alimentação e descanso;
- evitar comparar seu ritmo com o de outros familiares.
Retomar atividades não significa deixar o luto para trás. Trabalho, estudos, encontros e momentos de lazer podem voltar a fazer parte da vida mesmo quando a saudade continua presente.
Como lidar com o primeiro ano sem a mãe?
O primeiro ano sem a mãe pode reunir diversas situações que serão vividas pela primeira vez depois da perda.
Entre elas podem estar aniversários, Natal, Ano-Novo, reuniões familiares, férias e o Dia das Mães.
Essas datas podem provocar sentimentos diferentes. Algumas pessoas preferem manter as tradições familiares, outras sentem necessidade de modificá-las e há quem opte por viver determinados dias de maneira mais reservada.
Não existe uma escolha correta.
Antecipar que uma data pode ser emocionalmente mais difícil permite pensar com antecedência sobre onde estar, com quem passar o dia e quais atividades fazem sentido naquele momento.
Como passar pelo primeiro Dia das Mães sem minha mãe?
O primeiro Dia das Mães sem a mãe pode ter um peso particular porque a data coloca o tema em evidência em propagandas, redes sociais, lojas e encontros familiares.
Uma possibilidade é decidir previamente como deseja passar esse dia.
Você pode escolher:
- reunir-se com familiares;
- preparar uma receita ligada à sua mãe;
- rever fotografias;
- visitar um lugar significativo;
- fazer uma homenagem;
- escrever sobre alguma lembrança;
- passar o dia de forma mais reservada.
Também é possível não fazer nenhuma homenagem específica. A maneira escolhida para passar a data pode mudar nos anos seguintes.
Como preservar as lembranças da minha mãe?
Conviver com a ausência não significa precisar eliminar as lembranças. Para muitas pessoas, preservar parte da história da mãe ajuda a manter vivas experiências compartilhadas.
Existem diferentes maneiras de fazer isso.
Organize fotografias e vídeos
Fotografias podem ser reunidas em álbuns físicos ou digitais, organizadas por períodos ou compartilhadas com outros familiares.
Vídeos e gravações de voz também podem guardar detalhes que fotografias não registram, como gestos, expressões e maneiras de falar.
Registre histórias
Nem toda memória familiar está registrada em imagens.
Frases, acontecimentos, costumes e histórias podem ser escritos para que continuem sendo conhecidos por outras gerações.
Conversar com familiares também pode revelar lembranças e versões de histórias que você ainda não conhecia.
Preserve receitas e tradições
Receitas, músicas, celebrações e pequenos hábitos também fazem parte da memória de uma pessoa.
Preparar um prato que sua mãe costumava fazer ou manter alguma tradição familiar pode ser uma maneira de continuar compartilhando parte dessa história.
Escolha objetos significativos
Não existe um prazo obrigatório para decidir o que fazer com roupas e pertences depois que uma mãe falece.
Algumas pessoas conseguem organizar esses itens rapidamente. Outras preferem esperar.
Também não é necessário guardar tudo. É possível escolher alguns objetos que tenham significado, compartilhar outros com familiares ou realizar doações quando considerar adequado.
Quando procurar ajuda profissional durante o luto?
Tristeza e saudade fazem parte da experiência de muitas pessoas após uma perda e, isoladamente, não significam que exista um problema de saúde.
Entretanto, quando o sofrimento passa a comprometer de maneira significativa e persistente o cotidiano, o autocuidado, as relações ou a capacidade de realizar atividades necessárias, pode ser importante procurar orientação profissional.
Um psicólogo ou outro serviço de saúde pode oferecer um espaço para compreender o que está acontecendo e encontrar maneiras de lidar com esse período.
Também existem atividades para trabalhar o luto e grupos de apoio que podem fazer sentido para algumas pessoas.
É possível seguir a vida sem esquecer a mãe?
Seguir a vida depois da morte de uma mãe não precisa significar esquecê-la.
Ao longo do tempo, novas experiências, relações e projetos podem passar a conviver com a memória de quem faleceu. A saudade também pode mudar de intensidade e assumir significados diferentes.
Não existe a necessidade de escolher entre reconstruir a rotina e preservar a história de sua mãe. As duas coisas podem fazer parte do mesmo processo.
Cada pessoa encontrará sua própria maneira de manter essas lembranças presentes.
Se você deseja continuar essa leitura, o Grupo Zelo disponibiliza gratuitamente o e-book “7 dicas para lidar com o luto”, produzido em parceria com a psicóloga Jane Teodoro, especialista em terapia do luto. O material reúne orientações para compreender diferentes aspectos desse processo e encontrar formas de atravessar momentos de perda.


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